M A I S M E S T R A S , M A I S C O R A G E M dos profissionais do setor dos ofícios técnicos e manuais. Sua proporção manteve-se praticamente estável nos últimos anos. Mas há mais mestras. Em comparação com 2013, hoje trabalham cerca de 7000 mulheres a mais como mestras de ofícios técnicos e manuais, elevando a representação femi- nina de 13 para cerca de 17 por cento. Isso representa um avanço significativo e uma prova de que mulheres podem alcançar tudo no setor dos ofícios técnicos e manuais. Estereótipos de gênero ainda presentes No entanto, os papéis de gênero ainda são distribuídos de forma bastante tradicional. Segundo o Instituto da Economia Alemã (IW), na escolha da formação profissional, “jovens mulheres e homens ainda seguem frequentemente padrões típicos de gênero.” Em áreas consideradas masculinas, como construção civil ou oficinas, elas continuam subrrepresenta- das. Há, entretanto, exceções: por exemplo, na tecnologia automotiva, no ofício de açougueiro e na limpeza de edifí- cios, trabalham hoje mais mulheres do que no passado. Crescimento nos empregos verdes De modo geral, a proporção de mulheres no setor dos ofícios técnicos e manuais aumenta principalmente em profissões com falta contínua de trabalhadores qualificados. Isso apli- ca-se, por exemplo, a empregos relacionados à transição energética, como eletricistas de construção, técnicas em sa- neamento, aquecimento e climatização, bem como telhadis- tas. Isso mostra que: As mulheres são um fator fundamental para combater a falta de trabalhadores qualificados e, atu- almente, também são fortemente valorizadas. Segundo a Confederação Alemã de Ofícios Manuais (ZDH), estima-se que haja cerca de 200.000 vagas não preenchi- das no setor dos ofícios técnicos e manuais. Como parte da solução para o problema da falta de trabalhadores qualifi- cados, as mulheres podem desempenhar um papel cada vez mais importante. Por isso, a ZDH atua ativamente em inicia- tivas e campanhas para atrair mais mulheres para o setor dos ofícios técnicos e manuais e, desde a orientação e acon- selhamento profissional, incentivar jovens mulheres a optar por uma formação profissional dual no setor. Rompendo com os estereótipos Na ZDH, afirma-se: “Ficar preso a estereótipos é coisa do pas- sado.” Na ZDH, busca-se, por meio das redes sociais, da inter- net e de campanhas, quebrar estereótipos e despertar espe- cialmente o interesse das mulheres pelo setor dos ofícios técnicos e manuais. Em curtas biografias e vídeos bem produ- zidos, são apresentadas mulheres que mostram a alegria de suas profissões e como o trabalho dos ofícios técnicos e manu- ais pode ser empolgante. Junto às câmaras de artes e ofícios, a ZDH também apoia regularmente encontros de rede em todo o país, com o objetivo de atrair mais mulheres para o setor. Além disso, existem diversos projetos, redes e iniciativas, to- dos com o mesmo objetivo: reforçar o papel das mulheres no setor dos ofícios técnicos e manuais. Elas chamam-se: “ Unternehmerfrauen im Handwerk” (Empresárias nos Ofícios Técnicos e Manuais), “Gründerinnen im Handwerk” (Empre- endedoras nos Ofícios Técnicos e Manuais), “Initiative Klischee frei” (Iniciativa Sem Estereótipos), “Unternehmerin- nen für den Mittelstand” (Empresárias para as Pequenas e Médias Empresas) e “Handwerkerinnen Kompetenzzentrum” (Centro de Competência para Profissionais Especializadas em Ofícios Técnicos e Manuais). Prêmios e reconhecimentos também são usados para gerar visibilidade. Seja em concur- sos fotográficos sobre profissionais especializados ou títulos como Miss & Mister Handwerk, o foco é “novas perspectivas, criatividade e força” nas oficinas, como diz a marceneira e influenciadora do setor dos ofícios técnicos e manuais Isabelle Vivianne (@die.tischlerin). Miss Handwerk Vivianne manifesta-se regularmente, assim como Katja Lilu Melder (@katja_lilu_melder), mestra múltipla, Miss Handwerk 2025 (Miss Ofício Técnico e Manual 2025) e autodenomina- da “Palestrante de ofícios técnicos e manuais com atitude”. “Acho que o fato de que a construção ainda é vista como um domínio masculino, onde mulheres não têm espaço, é real- mente ultrapassado”, afirma ela. São modelos como Melder e Vivianne que ajudam a melhorar a imagem do setor dos ofícios técnicos e manuais. Elas mi- nistram palestras e workshops e publicam regularmente posts no Instagram e outras redes sociais. O mesmo fazem Luisa Buck (@lulu.metalroofer) e Julia Schäfer (@tschulique), que já conquistaram mais de um milhão de seguidores, usan- do slogans como: “Sejam espertas, vão para a construção”. As duas não se limitam a slogans, mas buscam apresentar bons argumentos e, por meio de vídeos, oferecer uma visão real do setor. Por exemplo, Julia Schäfer mostra que as mu- lheres não precisam mais temer o trabalho físico, nem a supe- rioridade dos homens, pois hoje existem muito mais máquinas de apoio e o avanço tecnológico facilita bastante as tarefas. Apesar das excelentes perspectivas, as mulheres ainda são minoria no setor dos ofícios técnicos e manuais. Talvez as influenciadoras, com seu alcance e relatos em primeira mão, consigam provocar uma mudança nas empresas e oficinas. 47